A Revista Territórios em Diálogo constitui-se como um núcleo estratégico de difusão de conhecimento, germinado no solo do Programa Educativo da Casa das Histórias de Salvador, do Arquivo Público de Salvador e da Galeria Mercado, equipamentos culturais da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), sob a gestão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).
Assumindo o contorno de uma plataforma viva, a publicação dedica-se a documentar e fazer reverberar as encruzilhadas onde arte, cultura, educação e território se encontram. Nossa intenção é fraturar a aridez das lógicas hegemônicas ao fomentar uma produção intelectual que nasce diretamente das vivências comunitárias, qualificando o debate sobre a cidade por meio de uma leitura que valoriza as cosmopercepções afro-indígenas, em profundo alinhamento à curadoria da Casa das Histórias de Salvador, o primeiro Centro de Interpretação do Patrimônio do Brasil. Trata-se de um movimento contínuo de estímulo ao pensamento crítico e à participação popular, assegurando que as lideranças e os coletivos soteropolitanos assumam seu lugar de direito como produtores ativos de conhecimento e de novos imaginários.
Embora a publicação habite o ambiente virtual para garantir a democratização e a capilaridade de seu alcance, o seu enraizamento investigativo e o seu impacto direto permanecem fincados no chão de Salvador, conectando as narrativas digitais à materialidade física dos bairros abordados.
A arquitetura editorial que rege a revista é, em si, um ato de mediação dialógica e de escuta ativa, pautada pela cocriação e por compromissos transversais inegociáveis: o combate ao racismo, a acessibilidade plena, a igualdade de gênero, a postura anti-LGBTQIAPN+fobia e a irrestrita valorização dos trabalhadores da cultura e dos mestres de saberes populares. Dessa forma, a revista emerge como uma ferramenta de difusão e formação continuada destinada a educadores, pesquisadores, agentes de memória e ao público em geral, operando como um canal que transforma a experiência viva do território em um instrumento de emancipação coletiva e de cidadania ativa.
Em sua essência, a epistemologia que orienta este projeto recusa a assepsia das fórmulas verticais para mergulhar as mãos na terra viva do cotidiano, consolidando um convite manifesto para “sultear” as nossas lentes. Trata-se de uma poética do enraizamento que compreende Salvador como uma complexa “mata-cidade”, provida de ecossistemas, inteligências e tecnologias próprias de sobrevivência.
Ao deslocar o eixo de produção do saber, afirmamos que o conhecimento estratégico brota das frestas, nutrido pelas lideranças que desenham a identidade soteropolitana. Assim, as páginas desta publicação operam como uma dinâmica de raízes: cada relato documentado atua como um duto capaz de conduzir seiva, transmutando a gestão popular em matéria orgânica que aduba as políticas públicas. Com isso, evidenciamos que, mesmo diante da aridez histórica e das lógicas de exclusão que tentam tornar os nossos territórios em solos distróficos, as vivências de base cultivam uma capilaridade nutritiva e inesgotável. É essa teimosia coletiva, fundamentada na alteridade e no diálogo, que ensina a cidade a florir de baixo para cima, germinando com autonomia e dignidade os nossos próprios futuros.
Atenciosamente,
Programa Educativo da Casa das Histórias de Salvador, do Arquivo Público de Salvador e da Galeria Mercado
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